Camaradas e amigos celebram<br>90 anos de António Gervásio
Mais de centena e meia de pessoas, vindas de todo o País, celebraram o 90.º aniversário de António Gervásio num almoço realizado no salão da União de Freguesias de Vila, Bispo e Silveiras, em Montemor-o-Novo. Para além do convívio e da camaradagem que proporcionou, das memórias que evocou e do futuro que projectou, a iniciativa contou com várias intervenções e testemunhos: do próprio António Gervásio; de Albano Nunes, da Comissão Central de Controlo, que aí representou o Partido; do sobrinho do homenageado, António José Gervásio; e da presidente da Câmara Municipal, Hortênsia Menino, que leu a saudação enviada pelo Secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa.
Nas várias intervenções e no muito que não se disse perpassou a generosidade de uma vida dedicada desde tenra idade à luta pela dignidade de quem trabalha, a liberdade, a democracia e o socialismo, uma luta integrada num colectivo maior, o PCP, do qual António Gervásio é militante há mais de sete décadas. Operário agrícola desde criança, tornou-se militante comunista aos 18 anos, passando em 1952 à clandestinidade, com a companheira Maria Lourença Cabecinha e com o filho de apenas seis meses. Foi preso por três vezes, evadiu-se uma – da cadeia de Caxias em Dezembro de 1961 – e enfrentou com coragem e determinação as torturas e os maus tratos. Foi o mais destacado dirigente da heróica e vitoriosa luta dos operários agrícolas do Sul do País pela jornada de oito horas.
Após o 25 de Abril empenhou-se a fundo na Reforma Agrária e assumiu várias responsabilidades partidárias: foi membro do Comité Central até 2004 (entrou em 1963) e da Comissão Política, integrando as direcções regionais do Alentejo e da Beira Interior. Tanto como o seu currículo, ou até ainda mais do que ele, impressiona a vivacidade, a jovialidade, a camaradagem, a modéstia e a confiança que perpassa das suas palavras e da sua militância comunista, que continua.